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    A saúde da boca é decisiva para a saúde do corpo

    Victor Hugo Cardoso • mai 03, 2021

    Sabemos que o que acontece na boca não fica restrito a ela.
    A conexão da cavidade oral com o resto do corpo vai muito além da mastigação, deglutição e digestão. 
    O microbioma oral humano saudável não depende apenas da manutenção de dentes limpos e gengivas firmes, mas também das bactérias que nele habitam.
    Bactérias energeticamente eficientes que vivem em um ambiente rico em vasos sanguíneos que permite a comunicação constante dos organismos com células e proteínas do sistema imunológico.

    Saúde da boca e saúde do corpo — conectados

    Um grande e crescente número de evidências demonstram que esse sistema, aparentemente separado do resto de nossos corpos é altamente influente e influenciado por nossa saúde geral.

    É o que afirmou Purnima Kumar, professora de periodontologia da The Ohio State University, em uma conferência de ciências recentemente.

    Doenças gengivais e o diabetes tipo 2

    O diabetes tipo 2 é conhecido por aumentar o risco de doenças gengivais. Estudos recentes mostram que o diabetes afeta a flora bacteriana da boca. Esse fato ajuda a explicar como o tratamento da periodontite, que altera as bactérias orais, também reduz a gravidade do próprio diabetes.

    Também foram encontradas conexões entre micróbios orais e artrite reumatoidehabilidades cognitivas, resultados da gravidez e doenças cardíacas, apoiando a noção de que uma boca doente pode ter uma relação direta com um corpo doentio.“O que acontece em seu corpo afeta sua boca e isso acaba repercutindo sobre o organismo. É realmente um ciclo de vida”, disse Kumar.

    Qual é a porta de entrada para o seu corpo? A boca

    A boca é a parte mais voltada para a frente do seu corpo que age como uma interface de comunicação com o ambiente e está conectada a todo esse sistema de tubos, “afirmou a pesquisadora. ”. No entanto, ainda assim, a boca ainda é muito pouco estudada.

    Conexão entre o microbioma oral e as doenças sistêmicas

    Em fevereiro passado a pesquisadora Kumar organizou uma sessão na reunião da American Association for de Advancement of Science (AAAS) intitulada “Sorriso assassino: a ligação entre o microbioma oral e as doenças sistêmicas”.

    O microbioma oral se refere à coleção de bactérias — algumas úteis para os humanos e outras não — que vivem dentro de nossas bocas.

    Kumar liderou e colaborou em pesquisas recentes que explicam ainda mais a ligação entre saúde bucal e diabetes tipo 2, que foi descrita pela primeira vez na década de 1990. Ela foi a autora principal de um estudo de 2020 que comparou os microbiomas orais de pessoas com e sem diabetes tipo 2 e como eles responderam ao tratamento não cirúrgico da periodontite crônica.

    A equipe descobriu que a periodontite possibilita que as bactérias — em vez do hospedeiro humano — assumam as rédeas na determinação da composição de micróbios e moléculas inflamatórias na boca. O tratamento da doença gengival levou à eventual restauração de uma relação normal de hospedeiro-microbioma.

    No entanto, igual processo levou mais tempo em pessoas com diabetes.“Nossos estudos levaram à conclusão de que as pessoas com diabetes têm um microbioma diferente dos indivíduos não diabéticos”, disse Kumar.

    “Sabemos que alterar a flora bacteriana em sua boca e restaurá-las ao que seu corpo conhece como bactérias saudáveis e amigáveis de fato melhora seu controle glicêmico.”

    Embora ainda haja muito a aprender, os fundamentos dessa relação entre o microbioma oral e as doenças sistêmicas tornaram-se cada vez mais evidentes.

    Boca transformada em fossa séptica

    As bactérias orais usam oxigênio para respirar e quebrar moléculas simples de carboidratos e proteínas para se manterem vivas. Algo tão simples como não escovar os dentes por alguns dias pode desencadear uma cascata de mudanças, sufocando o suprimento de oxigênio e fazendo com que os micróbios passem a um estado fermentativo.

    “Isso cria uma fossa séptica, que produz subprodutos e toxinas que estimulam o sistema imunológico”, disse Kumar. Segue-se uma resposta inflamatória aguda, que produz proteínas sinalizadoras que as bactérias veem como alimento.

    Então, essa comunidade, um ecossistema, muda. Os organismos que podem quebrar as proteínas começam a crescer mais, e os organismos que podem respirar em um ambiente sem oxigênio crescem. O perfil bacteriano e, mais importante, a função do sistema imunológico muda.

    A inflamação abre poros entre as células que revestem a boca e os vasos sanguíneos vazam, permitindo que bactérias que se tornaram prejudiciais à saúde entrem na circulação a alcancem o corpo todo.

    “O corpo está produzindo inflamação em resposta a essas bactérias, e esses produtos inflamatórios também estão se movendo para a corrente sanguínea, algo duplamente danoso ao organismo. Na busca de uma autoproteção o corpo acaba e se voltando contra si mesmo”, disse Kumar. “Esses patógenos então acabam cruzando fronteiras que nunca deveriam cruzar.”

    Ligações entre o microbioma bucal e doenças do corpo

    Os mecanismos exatos das ligações entre o microbioma bucal e doenças específicas são complexos e ainda estão sendo investigados. O segredo para uma boca saudável não é segredo algum: a prevenção de doenças bucais é tão simples quanto escovar e passar fio dental, e visitar o dentista ao menos duas vezes por ano para uma limpeza profissional, afirmou a pesquisadora.
    As políticas de saúde precisam enfatizar a importância da saúde bucal e tê-la como fundamental o bem-estar do organismo em seu todo.

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    Fontes: Journal of Dental ResearchAmerican Dental Association

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