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    De olho no futuro: Luz poderá vir a ser usada como analgésico

    Apesar do abuso das drogas opioides e das controvérsias sobre seus reais efeitos, esses medicamentos têm sido os preferidos nas receitas para pacientes que sofrem de dores severas.
     
    Agora, neurocientistas da Universidade de Washington (EUA) descobriram uma maneira de ativar os receptores opioides com luz, dispensando as controversas drogas.
     
    Rodopsina
     
    Em experimentos de laboratório e com cobaias (in vitro e in vivo), os pesquisadores ligaram a proteína rodopsina, que é sensível à luz, às partes principais dos receptores opioides, tornando esses receptores sensíveis à luz.
     
    A luz interage com os receptores nas células do cérebro, controlando a resposta dos neurônios à dor intensa sentida pelo corpo.
     
    Os experimentos também permitiram influenciar o comportamento dos animais de laboratório injetando os receptores no cérebro dos animais e, a seguir, usando luz em vez dos medicamentos para estimular uma resposta dos circuitos de recompensa.
     
    Luz como analgésico
     
    A esperança é que esses primeiros passos levem ao desenvolvimento de técnicas para usar a luz para aliviar a dor, algo que poderia levar a melhores drogas analgésicas e com menos efeitos colaterais.
     
    Várias outras pesquisas estão avançando no uso da luz como instrumento médico, sobretudo na área conhecida como optogenética.
     
    “É concebível que, com muito mais pesquisas, poderíamos desenvolver formas de usar a luz para aliviar a dor sem um paciente precisar tomar um medicamento analgésico com efeitos colaterais”, disse o Dr. Edward Siuda, principal autor do trabalho.
     
    Receptores opioides
     
    Mas, antes que isto seja possível, os cientistas estão tentando aprender formas mais eficazes para ativar e desativar as rotas dos receptores opioides nas células cerebrais.
     
    Trabalhar com luz, em vez de com drogas, torna muito mais fácil entender como os receptores funcionam dentro do complexo conjunto de células e circuitos no cérebro e na medula espinhal. Sobretudo porque a luz atinge apenas o ponto preciso a ser ativado, ao contrário das drogas, que se espalham por todo o corpo, ativando uma série de efeitos que complicam a chegada a conclusões.
     
    “Tem sido difícil determinar exatamente como os receptores opioides funcionam porque eles têm múltiplas funções no corpo,” explica o Dr. Bruchas. “Estes receptores interagem com as drogas analgésicas chamados opiáceos, mas eles também estão envolvidos na respiração, são encontrados no trato gastrointestinal e desempenham um papel importante na resposta de recompensa.”

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