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    Desastre da saúde bucal – após mais de 1 ano de pandemia

    Victor Hugo Cardoso •

    Um ano após os primeiros fechamentos, dentistas no mundo inteiro enfrentam as consequências da pandemia de COVID-19 na saúde bucal dos pacientes.

    Após um ano, como consequência desse desastre odontológico o que se tem observado é uma elevação significativa da incidência de cáries e doenças gengivais mais avançadas.
    Nesses últimos meses muitas pessoas foram perdendo o hábito de escovar os dentes regularmente, fazendo lanches entre as refeições em casa e não indo ao dentista.

    “Vamos chamá-lo pelo que realmente é – um desastre odontológico”, disse o Dr. Gerhard Konrad Seeberger, presidente da FEDI World Dental Federation. “As restrições certamente contribuíram para a desatenção com a saúde bucal, mas não contam toda a história”.

    FDI (francês: Fédération Dentaire International) representa mais de um milhão de dentistas em todo o mundo. É a organização líder mundial que representa a profissão odontológica. Ela atua como o principal órgão representativo de mais de um milhão de dentistas em todo o mundo, desenvolvendo políticas de saúde e programas de educação continuada, falando como uma voz unificada da odontologia na defesa internacional e apoiando associações membros em atividades de promoção da saúde bucal em todo o mundo.
    A FDI foi estabelecida em Paris em 1900. Os membros da FDI incluem mais de 200 associações membros nacionais e grupos especializados em cerca de 130 países.

    Os conselheiros e membros da FDI dizem que estão vendo em primeira mão as consequências catastróficas do vírus na saúde dos dentes e gengivas das pessoas em consultórios e clínicas odontológicas em todo o mundo.

    Durante a primeira onda da COVID-19, consultórios odontológicos em todo o mundo foram forçados a fechar.

    Por dois a três meses, todas as consultas odontológicas tiveram que ser adiadas ou canceladas, exceto para tratamentos de urgência e emergência. A Organização Mundial da Saúde relatou que os serviços de saúde bucal estavam entre os serviços essenciais de saúde mais afetados devido à pandemia COVID-19, com 77% dos países relatando interrupção parcial ou total.

    Dentistas: têm as mais baixas taxas de infecção 

    Entre a primeira e a segunda onda, os consultórios odontológicos em muitos países puderam reabrir.

    Os dentistas sempre seguiram os mais rigorosos protocolos de prevenção e controle de infecção e também revisaram as medidas de higiene exigidas pelos governos durante a pandemia de COVID-19.

    Além disso, uma pesquisa recente indica que os profissionais de saúde bucal têm taxas de infecção de SARS-CoV-2 significativamente mais baixas do que outros profissionais de saúde na maior parte do mundo.

    Apesar disso, muitas pessoas ainda evitam os check-ups de rotina e só vão ao dentista quando sentem dores extremas. Muitos desenvolveram cárie dentária avançada e complicações relacionadas, incluindo infecções, o que torna o tratamento mais complexo.
    Hoje, os dentistas estão enfrentando as consequências de um ano de interrupção no atendimento e tratamento odontológicos.

    “Durante a pandemia, os pacientes de alto risco tenderam a desenvolver mais de um problema, muitas vezes exibindo três ou quatro em simultâneo, porque muito tempo se passou sem um check-up”, afirmou o professor Paulo Melo, Conselheiro da FDI.

    Muitos pacientes esperaram de nove meses a um ano, ou mais, entre as consultas. Inclusive aqueles pacientes de alto risco que são incentivados a fazer um check-up odontológico a cada três a seis meses também deixaram de consultar seus dentistas.

    Os problemas geralmente incluem lesões de cárie e doenças gengivais.

    Uma das consequências dramáticas da pandemia é que os problemas de saúde bucal que não eram considerados urgentes durante o surto da pandemia se tornaram de fato urgentes após a espera de dois meses ou mais para procurar tratamento

    As consequências danosas da falta de check-ups odontológicos
    A cárie dentária que poderia ser tratada com uma restauração simples agora atingiu o estágio de periodontite apical e abscessos, o que exige um tratamento mais sofisticado.

    Os pacientes devem deixar de lado o medo e não adiar o tratamento odontológico essencial de rotina.

    “Uma das consequências dramáticas da pandemia é que os problemas de saúde bucal que não eram considerados urgentes durante o surto da pandemia se tornaram de fato urgentes após a espera de dois meses ou mais para procurar tratamento”, afirmou a Dra. Maria Fernanda Atuesta Mondragon, presidente da Federação Dentária Colombiana e conselheira da FDI.

    “Os adolescentes geralmente sofrem de cárie dentária e observei um nível crescente de cárie dentária nessa faixa etária”, disse o Dr. Nahawand Abdulrahman Thabet, que atende no Cairo, Egito, e é conselheiro do FDI.

    “Um paciente meu de 15 anos admitiu comer mais enquanto estava  em casa desde o fechamento de sua escola. Eu imagino que milhares de crianças de sua idade estejam em uma situação semelhante.”

    Toda a situação imposta pela pandemia, as restrições aos movimentos das pessoas e o trabalho remoto em casa contribuíram para a mudança de hábitos e comportamentos diários, afetando, em última instância, a saúde bucal das pessoas.

    Hábitos da boa saúde bucal precisam ser mantidos – somos exemplos para as crianças
    Os bons hábitos de higiene bucal, como escovação e uso de fio dental regularmente dever ser imperativo.

    Uma pesquisa global da Unilever observou que as crianças refletem o comportamento dos pais em detrimento de sua própria saúde.

    As crianças têm sete vezes mais probabilidade de pular a escovação se os pais não escovarem seus dentes regularmente.

    Os dentistas entrevistados concordaram que a mudança nos hábitos de higiene bucal das crianças resultou da mudança na rotina dos pais.

    Apesar dos desafios contínuos com a pandemia, é crucial que os pais priorizem suas rotinas de higiene bucal, bem como as de seus filhos.

    A má higiene bucal e o risco de maior gravidade da Covid-19
    Indivíduos com doenças preexistentes, incluindo doença periodontal, podem ter maior risco de desenvolver superinfecções, caso adquiram o vírus SARS-CoV-2.

    Evidências emergentes sugerem que determinados patógenos periodontais podem contribuir para uma superabundância de patógenos circulando sistemicamente naqueles com infecções graves por COVID-19.
    Essa condição acaba contribuindo para uma superinfecção e consequente desfecho sério.

    Embora sejam necessárias mais evidências científicas, elas nos lembram que a higiene bucal ideal e a manutenção de cuidados odontológicos preventivos de rotina nunca foram tão importantes.

    Você pensa que o paciente odontológico comum está ciente dessa possível conexão oral com as superinfecções graves de COVID-19?

    Nós, da profissão odontológica, precisamos falar abertamente, informar nossos pacientes que não estão comparecendo às consultas dos riscos que correm e ajudar na divulgação de que manter uma boa higiene bucal pode economizar mais do que dentes.

    Os profissionais da odontologia já sabem que a higiene bucal deficiente e a infecção periodontal ativa estão associadas a condições sistêmicas adversas – como ataque cardíaco, derrame, diabetes e demência – que podem interromper substancialmente a expectativa de vida.

    Evidências crescentes de Superinfecções
    Uma alta porcentagem (80%) de pacientes internados em UTI com COVID-19 apresentam 
    cargas bacterianas extremamente altas.

    Pelo menos um estudo revela que mais de 50% das mortes de pacientes que sofrem de COVID-19 grave também tiveram superinfecções bacterianas que requerem antibióticos.

    A homeostase está presente tanto na cavidade oral quanto nos pulmões quando há um equilíbrio na microbiota que prospera nos ambientes mucosos. Patógenos periodontais como Fusobacterium nucleatum , Prevotella intermedia e Porphyromonas gingivalis foram identificados como patógenos chave que contribuem para a progressão periodontal e têm sido associados a várias outras condições inflamatórias crônicas que contribuem para resultados adversos.

    Semelhante ao desequilíbrio que ocorre quando os biofilmes orais se tornam patogênicos e promovem inflamação, o supercrescimento microbiano no tecido pulmonar pode se desenvolver facilmente quando ocorre uma mudança em direção à doença ou infecção sistêmica.
    Os patógenos periodontais podem ser aspirados para o trato inferior do sistema respiratório, iniciando ou agravando uma condição respiratória, como a 
    pneumonia.

    Boa higiene bucal previne infecções respiratórias e possivelmente também COVID-19
    Uma 
    revisão sistemática publicada em 2008 confirmou que uma boa higiene bucal pode ajudar a prevenir infecções respiratórias, estimando que uma em cada 10 mortes relacionadas com pneumonia poderia ser evitada em idosos simplesmente melhorando a higiene oral.

    Também é possível que a melhoria da higiene oral possa reduzir os riscos de um resultado grave de outra infecção respiratória: COVID-19.

    Conexão entre a higiene bucal e a gravidade das infecções por SARS-CoV-2
    Como referido anteriormente, uma publicação recente do 
    British Dental Journal questiona uma ligação potencial entre a higiene bucal e a gravidade das infecções por SARS-CoV-2.

    O artigo faz referência a uma quantidade robusta de evidências que confirmam que a redução da doença periodontal pode reduzir o risco de pneumonia ao reduzir os patógenos periodontais.

    Dados como esses confirmam a inter-relação entre a cavidade oral e as infecções respiratórias, mas pode ser mais que apenas uma conexão bacteriana.

    Citocinas, como IL-1, IL-6 e TNF, aumentam durante a doença periodontal.

    Essas enzimas produzidas durante a inflamação oral e circulando sistemicamente também podem modificar o tecido da mucosa pulmonar, aumentando a adesão e colonização de patógenos respiratórios e, assim, aumentando a inflamação respiratória.

    Alguns pacientes com COVID-19 grave apresentam níveis mais elevados de citocinas inflamatórias circulantes.

    Fica claro que a higiene oral deficiente e a doença periodontal ativa podem promover patógenos que levam a superinfecções em pacientes com COVID-19.

    Também é possível que a superabundância de enzimas inflamatórias possa contribuir para a tempestade de citocinas documentada em alguns pacientes com desfechos mais graves de COVID-19.

    Mensagem aos pacientes
    À medida que mais evidências forem disponibilizadas, teremos um melhor entendimento da conexão oral relacionada ao vírus SARS-CoV-2.

    Hoje temos uma grande oportunidade de enviar mensagens nas redes sociais, incluir banners com e-mails ou boletins informativos para os pacientes e nos comunicar verbalmente salientando o quanto fundamentais são os cuidados diários e profissionais de higiene dental para a saúde bucal.

    Agora é a hora de lembrar aos pacientes que eles precisam usar a escova de dentes, o fio dental e o raspador de língua regularmente.
    Os pacientes devem aprender a importância de realizar a limpeza interproximal diária, onde a maioria das doenças periodontais começa. Prevenção é e sempre será, como diz o velho ditado, o melhor de todos os remédios.

    Embora estratégias como distanciamento social, higiene das mãos e uso de máscaras em público possam ajudar a reduzir a disseminação da COVID-19, talvez devêssemos adicionar uma mensagem sobre como visitar o seu dentista pode ajudar a prevenir superinfecções graves que ocorrem como resultado da ação do vírus SARS-COV-2.

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    Fontes: Dental disaster: One year after first lockdowns dentists around the world confront the consequences of the COVID-19 pandemic on people’s oral healthUnileverCould there be a link between oral hygiene and the severity of SARS-CoV-2 infections, Co-infections: potentially lethal and unexplored in COVID-19Scannapieco FA. Role of oral bacteria in respiratory infection. J Periodontol. 1999;70(7):793-802

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