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    Má higiene bucal por 24 – 72 horas produz impacto significativo sobre a saúde bucal

    Victor Hugo Cardoso • mai 27, 2021

    Má higiene bucal por até 3 dias pode causar sérios prejuízos

    A higiene bucal deficiente produz bactérias gengivais e acelera o envelhecimento do microbioma oral mais rápido do que se pensava.

    Um novo estudo mostra que dentro de 24 – 72 horas após a interrupção da higiene oral, houve uma diminuição acentuada na presença de “bactérias orais boas” e das substâncias químicas anti-inflamatórias benéficas aos quais estão associadas.

    Também se observou um aumento das ‘bactérias más’, normalmente presentes na boca de pacientes com periodontite, uma doença gengival grave que pode causar danos ou perda de dentes.

    A equipe de pesquisa, liderada por cientistas do Single-Cell Center, do Instituto de Qingdao BioEnergy and Bioprocess Technology (QIBEBT) da Academia Chinesa de Ciências (CAS) e Procter & Gamble Company (P&G), publicou suas descobertas no jornal mBio em 9 de março de 2021.

    A pesquisa

    Os pesquisadores pediram a 40 participantes do estudo com diferentes níveis de gengivite para realizar uma higiene oral ideal por três semanas. Isso levou à redução da gengivite e a uma linha de base saudável para o estudo. A gengivite foi então induzida quando sua rotina de higiene oral foi interrompida ao longo de quatro semanas. O reinício da higiene oral levou à recuperação devido à natureza reversível da gengivite. Os pesquisadores realizaram análises genéticas na população de bactérias na gengiva dos participantes conforme ela se alterava.

    Análises químicas das moléculas produzidas pelas bactérias foram realizadas e as respostas imunológicas dos participantes do estudo foram registradas.

    Mudanças para pior em 24 – 72 horas

    Em apenas 24 – 72 horas após o término da higiene oral, os pesquisadores observaram uma diminuição acentuada de indicadores benéficos, como a presença de várias espécies de Rothia, bem como da betaína química, molécula com importante atividade anti-inflamatória.

    Além disso, houve uma ativação rápida e completa de múltiplas citocinas salivares — proteínas e outras moléculas produzidas por células do sistema imunológico associadas à inflamação.

    Assim como a presença das ‘bactérias boas’ diminuiu, houve um aumento acentuado na presença de bactérias normalmente presentes na boca de pacientes com periodontite, embora ainda não houvesse nenhum sintoma da doença.

    Em conjunto, a associação positiva com a betaína e a associação negativa com a gengivite sugerem que Rothia pode ser uma ‘bactéria boa’ benéfica para a saúde das gengivas, contribuindo para a produção de betaína, com um claro efeito protetor.

    Microbioma oral alterado

    “Também descobriu-se um súbito ‘envelhecimento’ das bactérias na boca”, disse Xu Jian, Diretor do Centro de Célula Única do QIBEBT e autor sênior do estudo. “Seu microbioma oral envelheceu o equivalente a cerca de um ano em menos de um mês.”

    Estudos anteriores demonstraram que a composição da população de bactérias orais (o microbioma oral) é um bom preditor da idade de um paciente. À medida que envelhecemos, vemos menos algumas espécies de bactérias e mais outras. Pessoas mais velhas, por exemplo, tendem a ter muito menos espécies de bactérias Rothia (bactérias do bem).

    “Após apenas 28 dias de gengivite, descobrimos que os participantes do estudo tinham a ‘idade microbiana oral’ daqueles indivíduos um ano mais velhos”, disse Huang Shi, um investigador que liderou este estudo.

    Os pesquisadores agora pretendem continuar estudando a ligação entre Rothia, betaína e inflamação. O objetivo é buscar descobrir como esses elementos podem apresentar melhores respostas em estágios iniciais à gengivite.

    Fontes: mBio Journal, Mar. 9, 2021MSD Manuals

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